COMBATE DE NEGRO E DE CÃES
Zia Soares
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|Drama
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120 minutos
Sinopse
Combate de negro e de cães é uma tragédia noturna que se instala num território fechado: um enclave de brancos cercado por uma noite que não lhes pertence.
Nas torres de vigia, pressentem-se os guardas negros que vivem uma contradição estrutural: são servos e vigias, proteção e ameaça, interior e exterior ao mesmo tempo. São a fronteira sonora entre os mundos — as chamadas guturais que ecoam na noite mantêm o cerco, mas fazem-no vibrar, abrindo fendas.
A frágil normalidade do enclave é perturbada pela chegada de Alboury, um homem negro que atravessa o cerco para reclamar o corpo do irmão, Nuofia, morto no estaleiro dos brancos em circunstâncias suspeitas. Ele recusa-se a partir sem o corpo.
Entre as buganvílias e o limite da visibilidade, as explicações falham por excesso: palavras que desviam, justificam, omitem. O conflito adensa-se entre estratégias que se acumulam e se anulam.
Não há esperança: o corpo desapareceu e não será devolvido.
Alboury lidera e opera uma revolta que não se anuncia: o trágico é um assédio sonoro, territorial, imparável.
Ficha Técnica
- Encenação
- Zia Soares
- Texto
- Bernard-Marie Koltès
Informação Técnica
Tradução: Jorge Tomé | Revisão estilística: Thomas Coumans | Interpretação: António Simão, Matamba Joaquim, São José Correia, Thomas Coumans | Cenografia e Figurinos: Neusa Trovoada | Música e Design de Som: Xullaji | Design de Luz: Ricardo Campos | Tradução e elocução dos textos em Wolof: Mamadou Ba | Assistência: Anca Usurelu, Grazie Pacheco | Produção: Teatro GRIOT | Co-produção: Teatro José Lúcio da Silva | Apoios: Câmara Municipal de Leiria, Centro das Artes do Espectáculo de Sever do Vouga, Batoto Yetu, BANTUMEN, Polo Cultural Gaivotas Boavista, Teatro do Bairro